🌿ARQUITETURA E SENSORIALIDADE

 Arquitetura sensorial: espaços que despertam memórias e emoções

Cozinhas têm um poder emocional muito forte, porque remetem a convivência, memória familiar, aromas, experiências cotidianas e sensação de abrigo.              Cozinha rustica, Cliente ALG (Projeto Marcilene R S Iervolino)

Durante muito tempo, a arquitetura foi compreendida principalmente por seus aspectos técnicos, funcionais e estéticos. No entanto, os espaços que habitamos influenciam muito mais do que apenas nossa circulação ou permanência física. Eles afetam emoções, comportamentos, memórias e experiências cotidianas.

A arquitetura não é percebida apenas pela visão. Os ambientes também são experimentados através dos sons, das texturas, da iluminação, dos aromas, da temperatura e das sensações que despertam em cada indivíduo.

Ao entrar em um espaço, por exemplo, não percebemos apenas paredes, móveis e objetos. Sentimos acolhimento, tranquilidade, conforto ou até mesmo desconforto. Alguns lugares permanecem em nossa memória justamente porque conseguem estabelecer conexões emocionais profundas com nossos sentidos.

Parte dessas reflexões foi desenvolvida no capítulo “A Sensorialidade como Estratégia no Desenvolvimento dos Projetos de Arquitetura de Interiores”, publicado no livro Arquitetura e Urbanismo: Cultura, Tecnologia e Impacto Socioambiental 3. O estudo propõe uma reflexão sobre a importância da experiência sensorial no desenvolvimento dos ambientes e sobre a forma como a arquitetura pode contribuir para o bem-estar humano.

Link para acessar o Capitulo 6 sobre Sensorialidade:
https://atenaeditora.com.br/catalogo/post/a-sensorialidade-como-estrategia-no-desenvolvimento-dos-projetos-de-arquitetura-de-interiores

A arquitetura sensorial busca compreender exatamente essa relação entre o ser humano e os ambientes construídos. Mais do que funcionalidade ou estética, ela considera as experiências vividas nos espaços e a maneira como estes influenciam emoções, percepções e relações afetivas.

A iluminação natural, por exemplo, interfere diretamente na sensação de conforto e bem-estar. Ambientes excessivamente escuros podem provocar cansaço e desconforto, enquanto espaços bem iluminados tendem a estimular sensações de acolhimento, vitalidade e conexão com o ambiente externo.

Da mesma forma, materiais naturais como madeira, pedra, fibras e tecidos contribuem para criar atmosferas mais humanas e aconchegantes. Texturas, cores e elementos naturais possuem capacidade de despertar memórias afetivas e estabelecer vínculos emocionais entre as pessoas e os lugares.

Luz, texturas, cores e materialidades que despertam emoções. Espaço gourmet, Cliente F&C (Projeto Marcilene R S Iervolino)

Nesse contexto, a neuroarquitetura e a psicologia ambiental também ampliam a compreensão sobre os impactos dos ambientes construídos no comportamento humano. Estudos demonstram que fatores como acústica, ventilação, escala dos espaços, presença de vegetação e organização espacial influenciam diretamente emoções, níveis de estresse, concentração e sensação de pertencimento.

O design biofílico surge como uma importante estratégia nesse processo ao buscar reconectar as pessoas com a natureza através da arquitetura. A presença de vegetação, iluminação natural, ventilação cruzada, água e materiais orgânicos contribui para criar ambientes mais saudáveis, restauradores e emocionalmente equilibrados.

 A arquitetura sensorial se revela nos detalhes: na luz, nas texturas, nos materiais e nas memórias despertadas pelos espaços. Espaço de convívio, Cliente BSI (Projeto Marcilene R S Iervolino)

Mais do que criar espaços visualmente agradáveis, a arquitetura sensorial propõe ambientes capazes de estimular os sentidos e promover experiências significativas.

A casa, por exemplo, não representa apenas abrigo físico. Ela também é memória, identidade e pertencimento. Muitas vezes, lembranças afetivas estão associadas a elementos aparentemente simples: o cheiro de madeira, a luz entrando por uma janela, o som da chuva sobre uma cobertura ou a textura de determinados materiais.

Alguns espaços permanecem em nossa memória não apenas por sua forma arquitetônica, mas pela maneira como nos fizeram sentir.

Essa relação entre arquitetura e emoção torna-se ainda mais relevante em um mundo marcado pelo excesso de estímulos, pela velocidade das cidades e pela necessidade crescente de ambientes que promovam bem-estar e qualidade de vida.



🌿Projetar espaços é também projetar experiências.

A arquitetura pode acolher, estimular, emocionar e construir memórias. Quando pensamos os ambientes a partir da sensorialidade, compreendemos que morar vai muito além da funcionalidade: significa criar vínculos afetivos entre as pessoas e os lugares que habitam.

Link para acessar o Capitulo sobre Sensorialidade:
https://atenaeditora.com.br/catalogo/post/a-sensorialidade-como-estrategia-no-desenvolvimento-dos-projetos-de-arquitetura-de-interiores



🌿Arquitetura, percepção e experiência humana.

Marcilene Iervolino é Arquiteta e Urbanista, Doutoranda pela FAU-USP, Mestre em Políticas Públicas, MBA em Neurociência Aplicada à Arquitetura, Especialista em Arquitetura de Interiores, Meio Ambiente e História do Brasil (UEVA), além de docente nos cursos de Arquitetura e Urbanismo.

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