🌿O DESPERTAR DOS SENTIDOS
O DESPERTAR DOS SENTIDOS | 🌿MEMÓRIA AFETIVA E VEGETAÇÃO🌿
Você já sentiu um perfume no ar
e, intantaneamente, foi transportado para a cozinha da sua avó? Ou talvez tenha
ouvido uma música e sentido aquele "frio na barriga" de uma viagem
antiga? Isso é a memória afetiva em ação.
A MINHA "PLANTA DA MEMÓRIA"
Diferente da memória factual, aquela que usamos para decorar datas ou senhas, a memória afetiva é involuntária e profundamente ligada às nossas emoções. Ela acontece quando um estímulo sensorial (cheiro, gosto, aroma, som ou toque) acessa uma "caixinha" guardada no nosso subconsciente, trazendo de volta não apenas a lembrança, mas a sensação do que vivemos.
POR QUE AS PLANTAS SÃO GUARDIÃS DESSAS HISTÓRIAS?
Planta esquematica área de descanso e jardim (BSI).Acervo MRS (2024)
Moradora de apartamento durante muitos anos, a cliente solicitou essa área linda de quintal quando foi para uma residencia térrea, um de seus desejos principais para a residencia estava em ter um "lugar" externo exatamente assim. Um lugar com plantas, vegetações que relembrariam sua infancia, a querida vovó que amava plantas, inclusive algumas mudas de plantas ela ja cultivava no seu apartamento vinda da antiga casa da avó. As plantas além da beleza, e o bem estar que promovem, ainda fazem esta maravilhosa conexão com o passado, para os amantes das "plantas", cada vaso, cada mudinha relembra algo, um presente de alguém, ou mesmo uma pessoa que adorava aquela flor, isso é muito significativo. Sem falar no "tempo" da natureza, pois cada mudinha, cada planta tem seu proprio tempo de crescer, florescer, tornando-se mágico, o observar. Minha cliente adorou o projeto e segue cuidando cada vez mais de suas plantas, flores, vegetações que a cada estação mostram um novo cenário.
Já estas plantas na foto abaixo, Agave Attenuata, vieram da casa dos meus pais, e sempre que olho para elas, lembro do cuidado que minha mãe tinha com as plantas, e como ela gostava das vegetações, me lembro da casa, do jardim e de toda a minha infância naquele quintal. Inclusive gosto de muitas espécies floriferas, folhagens, frutíferas e tudo mais, como hortencias, lírios brancos, quer eram as preferidas da minha mãe. E olhar para essas espécies que vieram especialmente da casa de meus pais, traz um misto de nostalgia, alegria e a saudade deles.
Cuidar das plantas tras um novo sentido a tudo, aprendemos a nos conectar com o tempo, a ver as novidades do crescimento, de novas folhas, o cuidado ao "cultiva-las", quando colocar e ou não colocar água demais, elas estão ali e estão celebrando a vida. Cultivar essas lembranças é uma forma de autocuidado. Ao regar aquela planta que tem história, não estamos apenas hidratando raízes, estamos nutrindo nossa própria identidade e honrando quem passou pelo nosso caminho.
E você? Tem alguma planta ou objeto que te transporta para um momento feliz? Deixe seu comentário 🌿
Nos próximos posts falaremos mais de Design Biofílico, e quais estratégias de projetos podemos criar com este design.
Marcilene Iervolino é Arquiteta e Urbanista. Doutoranda em Arquitetura (FAU USP). Mestre em Políticas Públicas. MBA em Neurociencia aplicada á arquitetura. Especialista em Arquitetura e Design de Interiores. Especialista em Meio Ambiente. Especialista em História do Brasil.Docente de Arquitetura e Urbanismo.




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